segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Piolhos

Desapareci devido ao Festival SWU, que roubou todas as minhas forças.

Refeita retorno.

Eu tenho um pouco de medo de contar essa história porque não sei se ainda podem prender minha mãe pelo que eu vou contar, espero que não. Mas é que lembrei daquele caso do jogador Edmundo, animal, lembra? Sensação do Palmeiras em um passado que parece tão distante agora. Em pensar que eu fiz um comercial de cerveja com o Edmundo há tanto tempo atrás, e nem de cerveja eu gosto até hoje. Então, mas é que lembrei que o Edmundo, no aniversário do filho, deu cerveja a um macaco e foi preso, claro não pode.

Bom, mas acho que não vai dar nada para a minha mãe não, se isso foi crime, já prescreveu faz tempo!

Sabe como são irmãos né? Quando um tem uma doença, ou qualquer coisa que pegue, todos têm junto. Fica todo mundo ruim, às vezes, todos de uma vez, às vezes, um por vez. Como eu não sou mãe ainda, não sei o que é pior. De longe, me parece, que um de cada vez deve ser menos complicado.

Fato é que eu e minhas irmãs, as três, pegamos piolho, todo mundo com o diabo da praga na cabeça, e não havia Cristo que retirasse aquilo dali, sabe por quê?

Porque piolho é uma desgraça, você limpa um filho e ele fica lindo, limpinho, daí vem o danado do outro filho e passa piolho para o limpinho, e assim vai indo. De forma, que não tinha como exterminar a praga de uma vez. Se você tem irmãos de idades próximas à sua, você sabe do que eu estou falando. E não tinha esse remédio chique que agora passam na cabeça de todos os filhos em um único dia e sai tudo, imagina, hoje tem até pílula que você toma e os lazarentos caem durinhos. Pois é, não tinha, os remédios disponíveis não matavam tudinho, só os piolhos, as lêndeas continuavam por lá, prestes a despontarem em piolhos novinhos, repondo rapidinho a cambada assassinada.

Então, em um fim de semana, em casa de minha mãe, ela teve uma ideia, uma ideia dessas brilhantes que mãe jovem sempre tem!

Minha jovem e inexperiente mãe colocou um remédio para barata (está aí uma coisa doida, todo mundo falava remédio para barata, mas não é, não é mesmo? Se fosse remédio, a barata ficava forte e saudável e não morta, né?), desses que vinham em pozinho, nem sei se existe mais isso, mas existia, em nossas cabeças. Amarrou bem forte com um lenço e deixou um tempinho. Isso mesmo, colocou veneno de barata em nossas cabeças para matar os piolhos, oras, raciocínio lógico, se mata barata, claro que ia matar piolhos também. Essa estripulia foi dica de uma amiga mais sabida, que já tinha feito isso e tinha dado certo.

Era para deixar bem pouquinho na cabeça, logo estávamos todas tontas, principalmente a Camila, a mais nova, que era magrinha que nem um gravetinho, imagina, a bichinha ficou ruim rapidinho.

A sandice da minha mãe matou os piolhos mesmo, quase matou a gente também. Mas matou todos os piolhos e lêndeas de todas as filhas de uma só vez.

E aqui não há nenhum julgamento, ainda que possa parecer, pois não cabe a mim questionar aquilo que minha mãe fez. Afinal, quantas das coisas que nossas mães faziam e que hoje dizem que mata? Tudo faz mal, as crianças de hoje não podem nada, são criadas dentro de apartamentos, jogam bolinha de gude no tapete, nunca esfolaram o joelho ou arrancaram o tampão do dedo... Como dizia a minha avó, as crianças de hoje são feitas de merda. Mas mesmo assim, é bem provável que eu crie meu filho dentro do apartamento também.

Por falar da minha avó, mesmo deixando eu fazer muita coisa, ela sabia que veneno mata, então você não pode imaginar a cara e a gritaria dela quando eu cheguei em casa e soltei: “A gente não tem mais piolho, a mãe colocou remédio de barata na nossa cabeça, morreu tudinho!”.

2 comentários:

  1. Hahahaha. Piolhos são um saco mesmo, Flavinha.
    Adorei o texto.

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  2. Já passei por isso, mas na minha vez foi um composto a base de vinagre. Nunca algo ardeu tanto na minha cabeça como aquilo... rs. Ainda bem que hoje em dia existem produtos mais eficazes e menos traumáticos, porque teria muita dó de fazer isso com meus filhos... rs.
    Beijos...

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