Eu adorava me esconder. Acho que era uma das minhas brincadeiras favoritas, o esconde-esconde, também adorava as brincadeiras que envolviam correr, acho que no fundo do que eu gostava mesmo era de vencer. Ser sempre a vencedora, nunca aceitava o segundo lugar.
Eu tinha um talento natural para me esconder, ou não tinha juízo mesmo. Outro dia eu vi uma notícia sobre uma menininha que se escondeu na máquina de lavar roupas e o irmãozinho foi até lá e apertou o botão e a irmã morreu, que coisa! Lembrei do dia que eu também me escondi na máquina da mãe da minha amiga, por sorte ninguém apertou botão nenhum. Sabe dessas máquinas que têm a abertura na frente? Era dessas, e a gente nem alcançava os botões direito, graças a Deus!
Em um outro dia, eu me escondi dentro de um bauzinho, também na casa de uma amiga, nós – eu, ela e as primas – estávamos brincando na enorme casa do sítio dela e eu tive a ideia de me esconder no baú de madeira. Eu era bem pequena e magrinha, então entrei no baú e fiquei só ouvindo o burburinho, o pessoal todo atrás de mim. Até que elas desistiram e resolveram chamar as mães porque eu nunca aparecia. Daí eu pensei “eu ganhei, já posso sair”, mas não dava, eu estava presa. Então, eu comecei a gritar desesperadamente e ninguém me ouvia. Depois de muito desespero, a mãe da minha amiga me desencaixou, mas foi um sufoco, elas até me fizeram jurar que nunca mais me esconderia em um lugar como aquele. Me falaram sobre o perigo de eu não sair e ter que ir ao hospital.
Eu jurei que nunca mais ia me esconder num lugar tão apertado. Você pode imaginar quanto tempo durou a promessa né? Eram outros tempos, hoje, se me ameaçam com uma ida ao hospital, eu logo desisto da coisa.
Sem contar que ninguém gostava de brincar de esconde-esconde comigo, então era ótimo quando apareciam umas amiguinhas novas que não sabiam que eu ia me esconder num lugar doido que nem aquele, como as primas da minha amiga.
O meu primeiro esconderijo mirabolante foi uma árvore muito frondosa que tinha na minha rua, eu subia lá e ficava escondida no meio das folhas, mas tinha que ser noite, senão dava para ver. Quando eu fiquei menstruada, minha avó me alertou para o fato de que eu era uma moça, portanto, não podia viver por aí trepando em árvores. Depois vieram guarda-roupas, freezers, geladeiras, lajes etc.
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