
Eu: - Oh mãe... Este sapato não cabe no meu pé, não. Que tamanho é este sapato?
Avó: - Jorgina, este sapato não cabe na menina, de que diabo de tamanho que é?
Mãe: - Eu comprei o número dela, não sei porquê não serve.
Avó: - Você é toda atrapalhada mesmo, nunca vi uma coisa dessas. Você não sabe que pé de criança cresce, não? Ai que pergunta idiota, é claro que você não sabe, você não criou ninguém... Mas é assim, os pés das crianças crescem, se você voltar aqui no fim de semana, o pé da Flávia vai estar maior.
Daí eu já estava ficando com medo, porque ia virar briga...
Eu: - Tá bom gente, eu calço o sapato, nem está tão apertado assim... (Aham, os dedos estavam dormentes com uma hora de uso, eu queria era ter cortado a ponta do sapato)
Todo mundo estava se arrumando, a mulherada produzindo os cabelos.
Eu: - Oh mãe... Você não vai pentear meu cabelo, não? Eu quero fazer um penteado que nem o da Cassiari (madrinha da minha irmã Cristiane).
Mãe: - Flávia, você tem cabelo curtinho, não dá para fazer penteado.
Eu: - Mãe, você me comprou sapato menor que meu pé e não quer pentear meu cabelo? Eu não vou...
Mãe: - Filha, você tem que ir, é o batizado da Tianinha, sua irmãzinha.
Eu: - Mas eu nem fui batizada, por que ela vai ser?
Mãe: - Pára de pergunta, se arruma logo e pronto.
Eu: - Oh mãe, se a Cristiane ficou careca, o que você vai fazer com o cabelo dela? Não dá para colocar nada (um grande mistério da minha infância, como teria minha irmã ficado careca?)
Mãe: - Eu comprei um chapéu para ela, vai lá pegar, a gente vai colocar para ela ir se acostumando...
Eu: - Oh mãe, por que você não comprou um chapéu para mim também, então?
Mãe: - Porque é o batizado da Tiane, o chapéu é caro e quem tem que ficar bonita é ela. No seu, a gente compra um chapéu...
Eu: - Mas até lá eu já vou ter cabelo. Oh mãe, vamos botar uns grampos no meu cabelo?
Ela colocou os grampos e ficou horrível, despinguelou tudo antes de chegar à igreja...
Mãe: - Já colocou o chapéu na sua irmã?
Eu fui lá, com toda a boa vontade do mundo e coloquei o chapéu na Cris, que era Tiane quando era bebê. Depois de alguns minutos olhando para a aba do chapéu na própria cabeça, ela atirou o chapéu branco, que nem um algodão, longe.
Eu peguei o chapéu e coloquei de volta na cabeça dela e ela atirou longe de novo várias vezes... Então...
Eu: - Oh mãe, acho que ela não quer ficar de chapéu, não, e agora?
Mãe: - Flávia, você coloca o chapéu e fica segurando até ela acostumar. (Eu fiz isso, mas ela ficou olhando para cima até eu tirar a mão, e, quando eu tirei, adivinha. Ela jogou o chapéu longe).
Todas as pessoas começaram a discutir que ela tinha que ir de chapéu, que o chapéu tinha sido caro, que sem chapéu não podia, então, eu dei uma solução genial:
- Oh mãe, por que a gente não prende o chapéu com grampo na cabeça dela? (eu achava que grampo era a solução para todos os problemas capilares).
Daí minha mãe perdeu a paciência:
- Oh Flávia, se sua irmã está careca, onde é que eu vou prender o grampo?
Eu: - Ah é né mãe? Eu tinha esquecido...
Fui até a porta da igreja segurando o chapéu na cabeça da Cristiane e ela olhando para cima desconfiada, era só eu tirar a mão e záz... lá se ia o chapéu... Ela não riu nenhuma vez, ela não estava achando graça, não gostou do chapéu e pronto.
Chegando à igreja, eu não ia poder ficar segurando o chapéu até lá no altar, então, assim que soltaram as mãozinhas dela, ela pegou o chapéu e jogou fora no pé do padre. Todos riram muito da primeira vez...
E foi assim o batizado da Cris, eu com dor no pé de morrer e ela com o chapéu que não queria, essa foto aí em cima é dela na porta da igreja. Olha a cara. Veja se isso é cara de quem está feliz. Mas o mais importante, repara na mãozinha, o pai dela está segurando para a foto, e foi assim até começar a festa do batizado. Chegando à casa dos padrinhos da Cris, eu coloquei um chinelo tamanho 40 e poucos, soltei os grampos de uma vez e atiramos o chapéu longe finalmente... ufa!
Hahahaha... essa Cris, dando trabalho desde que nasceu... ri muito com a história Flavinha... rs
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