segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O chapéu de batizado


Eu: - Oh mãe... Este sapato não cabe no meu pé, não. Que tamanho é este sapato?

Avó: - Jorgina, este sapato não cabe na menina, de que diabo de tamanho que é?

Mãe: - Eu comprei o número dela, não sei porquê não serve.

Avó: - Você é toda atrapalhada mesmo, nunca vi uma coisa dessas. Você não sabe que pé de criança cresce, não? Ai que pergunta idiota, é claro que você não sabe, você não criou ninguém... Mas é assim, os pés das crianças crescem, se você voltar aqui no fim de semana, o pé da Flávia vai estar maior.

Daí eu já estava ficando com medo, porque ia virar briga...

Eu: - Tá bom gente, eu calço o sapato, nem está tão apertado assim... (Aham, os dedos estavam dormentes com uma hora de uso, eu queria era ter cortado a ponta do sapato)

Todo mundo estava se arrumando, a mulherada produzindo os cabelos.

Eu: - Oh mãe... Você não vai pentear meu cabelo, não? Eu quero fazer um penteado que nem o da Cassiari (madrinha da minha irmã Cristiane).

Mãe: - Flávia, você tem cabelo curtinho, não dá para fazer penteado.

Eu: - Mãe, você me comprou sapato menor que meu pé e não quer pentear meu cabelo? Eu não vou...

Mãe: - Filha, você tem que ir, é o batizado da Tianinha, sua irmãzinha.

Eu: - Mas eu nem fui batizada, por que ela vai ser?

Mãe: - Pára de pergunta, se arruma logo e pronto.

Eu: - Oh mãe, se a Cristiane ficou careca, o que você vai fazer com o cabelo dela? Não dá para colocar nada (um grande mistério da minha infância, como teria minha irmã ficado careca?)

Mãe: - Eu comprei um chapéu para ela, vai lá pegar, a gente vai colocar para ela ir se acostumando...

Eu: - Oh mãe, por que você não comprou um chapéu para mim também, então?

Mãe: - Porque é o batizado da Tiane, o chapéu é caro e quem tem que ficar bonita é ela. No seu, a gente compra um chapéu...

Eu: - Mas até lá eu já vou ter cabelo. Oh mãe, vamos botar uns grampos no meu cabelo?

Ela colocou os grampos e ficou horrível, despinguelou tudo antes de chegar à igreja...

Mãe: - Já colocou o chapéu na sua irmã?

Eu fui lá, com toda a boa vontade do mundo e coloquei o chapéu na Cris, que era Tiane quando era bebê. Depois de alguns minutos olhando para a aba do chapéu na própria cabeça, ela atirou o chapéu branco, que nem um algodão, longe.

Eu peguei o chapéu e coloquei de volta na cabeça dela e ela atirou longe de novo várias vezes... Então...

Eu: - Oh mãe, acho que ela não quer ficar de chapéu, não, e agora?

Mãe: - Flávia, você coloca o chapéu e fica segurando até ela acostumar. (Eu fiz isso, mas ela ficou olhando para cima até eu tirar a mão, e, quando eu tirei, adivinha. Ela jogou o chapéu longe).

Todas as pessoas começaram a discutir que ela tinha que ir de chapéu, que o chapéu tinha sido caro, que sem chapéu não podia, então, eu dei uma solução genial:

- Oh mãe, por que a gente não prende o chapéu com grampo na cabeça dela? (eu achava que grampo era a solução para todos os problemas capilares).

Daí minha mãe perdeu a paciência:

- Oh Flávia, se sua irmã está careca, onde é que eu vou prender o grampo?

Eu: - Ah é né mãe? Eu tinha esquecido...

Fui até a porta da igreja segurando o chapéu na cabeça da Cristiane e ela olhando para cima desconfiada, era só eu tirar a mão e záz... lá se ia o chapéu... Ela não riu nenhuma vez, ela não estava achando graça, não gostou do chapéu e pronto.

Chegando à igreja, eu não ia poder ficar segurando o chapéu até lá no altar, então, assim que soltaram as mãozinhas dela, ela pegou o chapéu e jogou fora no pé do padre. Todos riram muito da primeira vez...

E foi assim o batizado da Cris, eu com dor no pé de morrer e ela com o chapéu que não queria, essa foto aí em cima é dela na porta da igreja. Olha a cara. Veja se isso é cara de quem está feliz. Mas o mais importante, repara na mãozinha, o pai dela está segurando para a foto, e foi assim até começar a festa do batizado. Chegando à casa dos padrinhos da Cris, eu coloquei um chinelo tamanho 40 e poucos, soltei os grampos de uma vez e atiramos o chapéu longe finalmente... ufa!

Um comentário:

  1. Hahahaha... essa Cris, dando trabalho desde que nasceu... ri muito com a história Flavinha... rs

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